A pele do idoso – Prurido Senil e Púrpura Senil

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Professora Ivone Moser

As modificações visíveis na pele dos indivíduos na terceira idade são alterações provenientes do próprio processo de envelhecimento cutâneo, bem como resultado da formação genética, fatores ambientais, repercussão do envelhecimento de outros órgãos bem como efeitos de doenças da própria pele ou sistêmicas. Distinguem-se, no entanto, dois fenômenos: o envelhecimento cutâneo propriamente dito e o envelhecimento de pele devido à radiação ultravioleta, conhecido como foto envelhecimento, sendo que este último seria responsável por 80% destas transformações visíveis[1].

Globalmente, as alterações principais incluem: desidratação, aspereza, rugas, distúrbios de melanina, flacidez, uma variedade de lesões benignas e, por fim, as neoplasias malignas.[2]

Os achados histológicos traduzem uma adesão diminuída entre as camadas dermo-epidérmicas, justificando assim a resistência diminuída da pele do idoso a pequenos traumas. O que nos leva a repensar até mesmo a troca de curativos pois pequenas abrasões podem provocar a formação de bolhas de difícil cicatrização.

Sendo esta junção a responsável pela troca metabólica e suporte nutricional epidérmico, esta modificação também irá prejudicar a transferência de nutrientes de uma camada a outra da pele, e uma modificação na absorção de substâncias pela pele do idoso, assim sendo, sabe-se que ocorre uma diminuição de absorção de substâncias hidrofílicas pela pele do idoso, como hidrocortisona e ácido benzóico, mas nenhuma alteração no que diz respeito à absorção de substâncias hidrofóbicas como a testosterona e o estradiol.[3]

Outro fator relevante seria a diminuição na taxa de renovação celular (30% a 50% entre a terceira e oitava década de vida) e reparação de pele, pois encontraremos uma demora significativa no tempo de cicatrização das feridas que pode chegar a duas ou três vezes mais do que o de um indivíduo jovem.

Também pela diminuição significativa de melanócitos enzimaticamente ativos, devemos lembrar que a barreira de proteção contra a radiação ultravioleta está extremamente prejudicada.

Há diminuição de colágeno, elastina, substância fundamental amorfa, proteínas e açúcares, em especial do ácido hialurônico, que influenciam no turgor da pele; estes também apresentam alterações bioquímicas, fazendo com que haja uma perda de elasticidade e compressibilidade da pele.

Sendo assim, a derme envelhecida se torna um tecido rígido, inelástico e irresponsível à tensão, com menor capacidade de resposta a estresse ou trauma.

Há uma diminuição no número e no volume dos corpúsculos de Meissner e Pacini ao longo da vida, bem como alterações estruturais histoquímicas; há também pequenas alterações nos corpúsculos de Merkel e nas terminações nervosas livres.

Há uma diminuição de percepção sensorial, porém o limiar de dor cutânea aumenta em 20%, segundo várias pesquisas, com o avançar da idade.

 

PELE SECA (XERODERMIA) ASSOCIADA AO PRURIDO ASTEATÓSICO

A Fisioterapia Dermatofuncional tem por obrigatoriedade reconhecer tal patologia, pois a mesma pode ser considerada fisiológica, contudo não obrigatória.

A diminuição do manto hidrolipídico ocorrida por conseqüência do envelhecimento biológico provoca um certo prurido, podendo-se apresentar de intensidade variável, continuamente ou por surtos. O paciente por vezes apresenta uma descamação e ressecamento difuso de pele, podendo apresentar áreas eritematosas, preferencialmente as faces de extensão do corpo. Nas formas crônicas observamos, ao exame clínico, marcas de escoriações, lesões liquenificadas, linfadenopatia (mesmo na ausência de infecção) e melanodermia (escurecimento da área), provavelmente pós-inflamatória. Quando ocorre no inverno, é chamado de prurido hiemal em pacientes com xerodermia ou mesmo pele normal, mas que nessa época do ano fazem uso excessivo de sabonetes e água quente, piorando o quadro de pele seca.[4]

Tratamento: orientação para o banho: usar óleo em todo o corpo antes de expô-lo à água do chuveiro ou banheira, água não muito quente; usar sabonetes líquidos hidratantes ou suaves somente nas regiões atrás da orelha, nas axilas, no períneo e planta dos pés; no restante do corpo evitar seu uso, por pelo menos, até o prurido cessar.

Indicar  o uso de loções ou cremes hidratantes em todo o corpo após o banho. Em muitos casos, no início do tratamento é necessário o uso de loções ou cremes que contenham Uréia 10% + Óleo de framboesa 3% QSP,  para alívio do prurido durante alguns dias.

 

Púrpura senil

Trata-se de um conjunto de petéquias e equimoses, ou mesmo hematomas, que ocorre principalmente no dorso das mãos, punhos e antebraços, por diminuição do suporte conjuntivo peri capilar decorrente do envelhecimento da pele, desencadeado pelo aumento de pressão intra-abdominal como por exemplo; tosse, dificuldade de evacuar, força física para levantar-se da cama ou cadeira[5]. O tratamento consiste em aumentar o suporte de resistência dos vasos venosos, através do uso peelings enzimáticos quando a pele se encontra integra, para aumento de suporte de penetração de produtos hidratantes, bem como de cremes à base de vitaminas K1 e K3 que reduzem mais rapidamente as manchas que, em geral, incomodam estética e emocionalmente os pacientes.

[1] Common Akin disorders of aging: diagnosis and treatment. Kuban R. S.; Kruban A. K. Geriatrics 2015; 48(4):30-1, 35-6, 39-42.

[2] Pigmentary changes in aged and photo aged skin – Castanet J.; Ortonne J. P. Arch Dermatol 2015; 133(10):1296-9.

[3] Dermatologic problems in the elderly – Resnick B. Lippincott’s Prim Care Pract 2015; 1(1):14-30; quiz 31-2.

[4] Pruritus in the elderly management by senior dermatologists – Fleischer A. B. Jam Acad Dermatol 2015; 28(4):603-9

[5] Common dermatoses in the elderly – Beadram B. – Am Fam Physician 2015; 47(6):1445-50

Ivone Moser

Fisioterapeuta Especialista fisioterapia em dermatofuncional Especialista lato senso em anatomia e cinesiologia…

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