Discromias

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Cacia Rusenhack

Rossana Ghessa

As discromias são definidas como alterações na cor da pele, devido ao aumento ou diminuição da atividade melânica. Os melanócitos e os melanossomas são as principais estruturas envolvidas nas alterações de cor da pele. As alterações caracterizadas pela diminuição da atividade dos melanócitos são denominadas hipocromias, enquanto que, as caracterizadas pelo aumento da atividade são designadas melanodermias, manchas hipercrômicas, hipercromias melanogênicas ou hiperpigmentação.

Alguns fatores podem desencadear as discromias. Dentre eles, podemos citar o envelhecimento, devido à excessiva exposição solar ao longo do tempo, a gravidez (fator hormonal), os distúrbios endócrinos, o excesso de exposição solar e o tratamento com hormônios sexuais.

Os melanócitos estão localizados entre a camada basal da epiderme e a lâmina basal subjacente que separa a derme da epiderme. Cada melanócito fornece pigmento para vários queratinócitos através de seus dendritos, na unidade epidérmico-melanina.

Os queratinócitos, por sua vez, fagocitam as pontas dos melanócitos-dendríticos que estão repletos de melanina.

Quanto maior a fagocitose das pontas dos melanócitos-dendríticos pelos queratinócitos, maior a proteção melânica. Essa ação também é responsável pela pigmentação da pele, pois é dependente da quantidade de melanina transferida para os queratinócitos.

Os melanossomas são as estruturas responsáveis pela produção da melanina e, segundo Fitzpatrick, apresentam seis estágios, onde o primeiro estágio  é caracterizado  pela área perinuclear, evoluindo até o sexto estágio nos dendritos dos melanócitos. Na pele negra há uma predominância de melanossomas no último estágio (sexto).

Cada indivíduo possui uma quantidade de melanina constitucional, porém esta pode se tornar mais ativa a partir de estímulos como a radiação ultravioleta, hormônios estimuladores de melanócitos (MSH) e hormônios adrenocorticotróficos (ACTH).

O albinismo é uma afecção caraterizada pela deficiência ou ausência do funcionamento da tirosinase (principal enzima envolvida na melanogênese), que pode provocar o mau funcionamento nos melanócitos, resultando em patologias diversas.

As manchas hipercrômicas mais comuns são:

  • Efélides: conhecidas popularmente como sardas. São caracterizadas como hiperpigmentação maculosa, circunscrita e simétrica, de cor castanha clara ou escura que acomete, preferencialmente, as peles claras. Apresentam número normal de melanócitos, porém há uma produção aumentada de melanina na camada basal. Localizam-se na face, antebraços, braços, ombros e tronco superior. Possui etiologia genética e podem acentuar-se à exposição solar.
  • Melasma ou Cloasma: são manchas simétricas, difusas, de bordas regulares e configuração geográfica, de cor castanha clara ou escura, comuns em peles castanhas ou pardas. Localizam-se na face, regiões malares, fronte, labial superior e masseter. Possui maior incidência no sexo feminino a partir dos 25 anos. Apresenta como fatores desencadeantes gravidez, predisposição genética, cosméticos, exposição solar, terapias hormonais, disfunções hormonais e endócrinas.
  • Melanose Periocular: são as chamadas olheiras, manchas de etiologia hereditária, que possuem como fatores desencadeantes alterações vasculares, insônia e estresse. Apresentam maior incidência no sexo feminino e em peles morenas.
  • Dermatose Solar Crônica: caracterizadas por alterações pigmentares adquiridas devido a ação cumulativa da radiação ultravioleta. São desenvolvidas a partir da atrofia cutânea ou da ação persistente dos raios solares. Aparecem, geralmente, na face, pescoço, dorso das mãos, punhos e antebraços. Possui incidência maior em indivíduos de olhos claros e após a terceira ou quarta décadas de vida.

Os agentes despigmentantes mais utilizados no tratamento dessas manchas são a hidroquinona, os ácidos retinóico, glicólico, fítico, kójico e azelaico, a vitamina C, o Arbutin®, Antipollon HT®, VC-PMG (fosfato-ascorbato de magnésio) e o fenol (citotóxico). Outras terapias também podem ser utilizadas como a microdermoabrasão e a dermoabrasão, o Laser e os peelings químicos.

 

FOTOPROTEÇÃO

Os raios solares são classificados em três tipos: UVA, UVB, UVC. Os raios UVA são os responsáveis pelo envelhecimento precoce e pelo bronzeamento da pele. A exposição excessiva pode provocar câncer de pele; os raios UVB, por sua vez, são responsáveis pelas queimaduras solares e pelo câncer de pele e os raios UVC não atingem a superfície terrestre, pois são filtrados pela camada de ozônio.

Em 1975 o médico americano Dr. Thomas B. Fitzpatrick, da Escola de Medicina de Harvard, criou uma classificação para os tipos de pele. A Classificação está baseada na cor da pele e na reação à exposição solar. Esta classificação é utilizada atualmente para a programação de tratamentos estéticos faciais.

De acordo com a tabela de Fitzpatrick, existem seis fototipos de pele, a saber:

Tipo I: pele muito clara, sempre queima, nunca bronzeia;

            Tipo II: pele clara, sempre queima, algumas vezes bronzeia;

            Tipo III: pele menos clara, algumas vezes queima, sempre bronzeia;

            Tipo IV: pele morena clara, raramente queima, sempre bronzeia;

            Tipo V: pele morena escura, nunca queima, sempre bronzeia;

            Tipo VI: pele negra, nunca queima, sempre bronzeia.

 

Os protetores solares podem ser classificados como orgânicos ou físicos e inorgânicos ou químicos. Os orgânicos ou físicos proporcionam uma camada opaca que reflete as radiações ultravioletas, são exemplos: o dióxido de titânio, óxido de zinco, silicato e dióxido de magnésio. Os inorgânicos ou químicos absorvem radiações ultravioletas específicas (UVB e/ou UVA).

De acordo com o nível do fator de proteção solar (FPS), pode-se obter uma eficácia variável de proteção da pele. Os protetores solares de FPS 15 apresentam absorbância aproximada de 93,33%, sugerindo-se reaplicação a cada hora. Os de FPS 30, aproximadamente, 97% – apresentando indicação quando o indivíduo faz exposição direta ao sol, necessitando reaplicação a cada 2 horas. Os protetores solares de FPS 40 permitem uma proteção acima de 97%. Também são indicados quando em exposição direta com aplicação de 4 em 4 horas.

O Fator de Proteção Solar é a principal informação acerca da eficácia fotoprotetora de um filtro solar, mas a sua interpretação não deve ser baseada somente no valor numérico em si, devendo também se considerar a adequada forma de uso do produto, em termos de quantidade aplicada e regularidade na reaplicação.

Por fim, na escolha de um agente fotoprotetor, além do FPS, os dados relativos à substantividade (resistência à água), proteção UVA e fotoestabilidade devem ser considerados para uma correta fotoproteção.

O tempo de reaplicação para cada fator de proteção, é diretamente dependente de ações como mergulho ou suor excessivo, nestes casos, diminuindo o tempo para reaplicação.

 

REFERÊNCIAS

1 – www.abihpec.com.br

2 – www.roc.com.br

Cacia Rusenhack

Coordenadora e Docente do curso de Pós-Graduação de Estética Clínica da Universidade…

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